O que você verá neste post
Introdução
As Anotações Acadêmicas de 24/03/2025 tratam de temas fundamentais do Direito Administrativo, um dos ramos centrais do Direito Público, responsável por disciplinar a organização, o funcionamento e os limites da atuação da Administração Pública.
Assim, compreender seus fundamentos é essencial para qualquer estudante de Direito, especialmente diante do papel cada vez mais relevante do Estado nas relações sociais, econômicas e políticas.
Nesta aula, foram abordados pontos importantes desse campo, com foco no regime jurídico administrativo e nos princípios que orientam a atividade administrativa.
A partir dessas anotações, este artigo organiza e aprofunda o conteúdo, facilitando a compreensão e a fixação dos principais conceitos para estudo e consulta.
Fundamentos do Regime Jurídico Administrativo
O regime jurídico administrativo é um conjunto de regras e princípios que conferem à Administração Pública prerrogativas e restrições, diferenciando-a dos particulares. Ele visa garantir que o Estado atue em conformidade com o interesse público, promovendo a justiça, a eficiência e a legalidade.
Dois princípios fundamentais sustentam esse regime:
1. Supremacia do Interesse Público sobre o Interesse Privado
Esse princípio estabelece que o interesse coletivo deve prevalecer sobre os interesses individuais. Trata-se de uma justificativa para as prerrogativas estatais, como desapropriações, imposição de sanções administrativas ou limitação de direitos, desde que dentro dos limites legais.
2. Indisponibilidade do Interesse Público
A Administração Pública não pode dispor livremente dos bens e direitos públicos como se fossem seus. O gestor público atua como um representante da coletividade e está vinculado aos princípios da legalidade e da finalidade.
Portanto, isso significa que não há liberdade absoluta: toda decisão deve estar orientada para o atendimento do interesse público.
Direito Público Subjetivo
O direito público subjetivo representa uma importante categoria jurídica dentro do Direito Administrativo, pois estabelece uma relação direta entre o particular e o Estado, baseada na possibilidade de exigência de uma conduta administrativa previamente definida pela norma jurídica.
Trata-se da faculdade reconhecida ao indivíduo de exigir judicialmente do Estado o cumprimento de uma obrigação prevista em lei, quando estiver presente um interesse juridicamente protegido e que se torne oponível à Administração Pública.
Nesse sentido, o cidadão deixa de ser mero destinatário das políticas públicas e passa a ocupar um lugar ativo na defesa de seus direitos frente ao poder público.
1. Natureza Jurídica
O direito público subjetivo está alicerçado na ideia de que a Administração Pública não atua com discricionariedade absoluta. Ao contrário, quando a norma jurídica estabelece um dever específico da Administração, o seu descumprimento autoriza o particular a invocar a tutela jurisdicional para que o Estado seja compelido a agir conforme a lei.
É, portanto, uma expressão direta do princípio da legalidade e da juridicidade administrativa.
2. Exemplos Práticos
Concurso público: Quando um candidato é aprovado dentro do número de vagas previstas no edital, a Administração tem o dever jurídico de nomeá-lo. Caso não o faça, o aprovado pode recorrer ao Judiciário para assegurar esse direito, o que configura um típico exemplo de direito público subjetivo.
Fornecimento de medicamentos pelo SUS: Se o Estado se compromete, por norma legal ou política pública, a fornecer determinado medicamento e se recusa indevidamente, o cidadão pode acionar a Justiça para garantir o fornecimento, com base em seu direito à saúde.
Concessão de licença ou autorização prevista em lei: Quando um cidadão preenche todos os requisitos legais para obter determinada licença (como um alvará de funcionamento), a Administração não pode se recusar a concedê-la sem justificativa legal. Nessa hipótese, o particular também pode recorrer ao Judiciário.
3. Distinção entre Direito Público Subjetivo e Expectativa de Direito
É importante distinguir o direito público subjetivo da chamada expectativa de direito, situação em que o particular ainda não preenche todos os requisitos legais ou depende de ato discricionário da Administração.
Nestes casos, não há direito líquido e certo, mas apenas uma possibilidade, condicionada à conveniência e oportunidade do ente público.
Por exemplo, um candidato aprovado fora do número de vagas em concurso público possui apenas expectativa de direito à nomeação, que pode se concretizar ou não, a depender de outros fatores administrativos.
Princípios Estruturantes do Regime Jurídico Administrativo
A atuação da Administração Pública está sujeita a diversos princípios que orientam sua conduta. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, apresenta os chamados princípios explícitos da Administração Pública direta e indireta, agrupados no mnemônico LIMPE:
1. Legalidade
A Administração Pública só pode agir conforme a lei previamente existente. No âmbito administrativo, a legalidade possui um sentido mais restrito: o agente público somente pode fazer o que estiver autorizado em lei. Essa vinculação à norma é denominada juridicidade.
2. Impessoalidade
O princípio da impessoalidade exige a isonomia no tratamento aos administrados e a atuação despersonalizada do Estado. Os atos administrativos pertencem à entidade pública, não ao agente que os pratica. Além disso, proíbe a promoção pessoal de autoridades por meio de ações institucionais.
3. Moralidade
Trata-se da exigência de conduta ética por parte da Administração. O princípio da moralidade está relacionado à boa-fé, à honestidade e à integridade funcional. Ele também pressupõe a segregação de funções e o combate a conflitos de interesse.
4. Publicidade
Esse princípio visa garantir a transparência dos atos administrativos, permitindo o controle social e o acesso à informação. Atos sigilosos são exceções e devem estar previstos em lei. A publicidade é condição de eficácia de muitos atos administrativos.
5. Eficiência
Introduzido pela Emenda Constitucional nº 19/1998, o princípio da eficiência exige que a Administração atue com rapidez, qualidade, produtividade e economia de meios. Não basta agir de forma correta, é necessário obter bons resultados na prestação dos serviços públicos.
Princípios Implícitos e Complementares
Além dos princípios expressamente previstos no artigo 37 da Constituição Federal, o Direito Administrativo reconhece uma série de princípios implícitos e complementares, que decorrem da própria lógica do Estado de Direito e da atuação da Administração Pública voltada à realização do interesse coletivo.
São verdadeiros pilares da atuação administrativa. Conheça quais são:
1. Supremacia e Indisponibilidade do Interesse Público
A supremacia do interesse público sobre o privado legitima as prerrogativas da Administração frente aos administrados, autorizando, por exemplo, a aplicação de sanções, a desapropriação de bens ou a intervenção em atividades particulares, desde que dentro dos limites legais.
Por outro lado, a indisponibilidade do interesse público indica que os agentes públicos não têm liberdade para renunciar, negociar ou transigir sobre o interesse coletivo, pois agem como gestores de bens e direitos da coletividade. Toda decisão deve estar fundamentada na legalidade e voltada à consecução de finalidades públicas.
2. Razoabilidade e Proporcionalidade
A razoabilidade impõe que os atos administrativos sejam pautados pelo bom senso, evitando arbitrariedades, absurdos ou descompassos com a realidade social.
A proporcionalidade, por sua vez, é uma técnica de controle que exige a observância de três subprincípios: adequação (o meio deve ser capaz de alcançar o fim), necessidade (não pode haver alternativa menos gravosa) e proporcionalidade em sentido estrito (os benefícios devem superar os sacrifícios impostos). São princípios fundamentais no controle judicial de atos administrativos.
3. Segurança Jurídica, Boa-fé e Confiança Legítima
Esses princípios protegem os cidadãos contra surpresas e mudanças abruptas na atuação estatal. A Administração deve atuar com previsibilidade, respeitando situações consolidadas, legítimas expectativas e a confiança depositada pelos administrados.
Exemplos típicos incluem a vedação à revogação retroativa de atos administrativos ou a necessidade de aviso prévio em alterações normativas que impactem diretamente os cidadãos.
4. Finalidade
O princípio da finalidade exige que todo ato administrativo observe o fim legal para o qual foi instituído. O desvio de finalidade – quando o agente utiliza o ato para satisfazer interesses pessoais, políticos ou alheios ao interesse público – configura ilegalidade e pode ensejar anulação do ato e responsabilização do agente.
5. Motivação
A motivação é o dever de justificar os atos administrativos, indicando de forma clara os fatos, fundamentos jurídicos e razões que levaram à decisão. Ela permite o controle interno e externo dos atos, promovendo a transparência e possibilitando ao administrado entender e, se necessário, contestar a decisão.
6. Continuidade dos Serviços Públicos
A Administração tem o dever de garantir a prestação ininterrupta dos serviços essenciais, como saúde, segurança e transporte. Mesmo durante greves, férias de servidores ou mudanças de gestão, a paralisação total dos serviços é inadmissível, salvo exceções legais. Trata-se de um princípio diretamente ligado à função social do Estado.
7. Consensualidade e Participação
A participação popular, por sua vez, está ligada ao exercício da cidadania na formulação de políticas públicas, elaboração de normas e fiscalização administrativa — por meio de conselhos, audiências públicas, consultas e outros mecanismos de controle social.
Prerrogativas Administrativas
A atuação da Administração Pública é marcada por poderes e prerrogativas que a colocam em posição de supremacia frente ao particular, sempre em nome do interesse coletivo. As principais são:
1. Autotutela
Consiste no poder da Administração de anular seus próprios atos ilegais e de revogá-los por conveniência ou oportunidade. Trata-se de um importante instrumento de controle interno e de eficiência administrativa.
Anulação: ocorre quando há ilegalidade no ato. É obrigatória.
Revogação: ocorre por motivos de mérito, conveniência ou oportunidade. É discricionária.
2. Exigibilidade
Permite que a Administração imponha obrigações aos administrados sem recorrer previamente ao Poder Judiciário, desde que dentro dos limites legais. Por exemplo, exigir o uso de máscaras em ambientes públicos durante uma pandemia.
3. Executoriedade
Confere à Administração o poder de executar diretamente suas decisões, inclusive com uso de força coercitiva, sem necessidade de autorização judicial. Um exemplo é a apreensão de mercadorias irregulares por fiscais.
4. Poder-dever
O exercício das competências administrativas não é uma faculdade, mas sim um dever jurídico do Estado, com consequências legais em caso de omissão.
Essas prerrogativas, contudo, não são absolutas. Estão sempre sujeitas ao controle de legalidade e aos princípios constitucionais.
Conclusão
As Anotações Acadêmicas de 24/03/2025 abordaram de forma clara e estruturada os principais fundamentos do Direito Administrativo, especialmente no que se refere ao regime jurídico da Administração Pública e aos princípios que norteiam sua atuação.
Compreender esses princípios é indispensável para interpretar corretamente os atos administrativos, promover a defesa dos direitos fundamentais e assegurar que o Estado atue em consonância com a legalidade, a moralidade e a eficiência.
Portanto, mais do que uma obrigação legal, respeitar esses preceitos é um compromisso ético com a sociedade.