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Introdução
É possível tratar a morte de um recém-nascido da mesma forma que qualquer outro homicídio? Essa pergunta revela o núcleo do debate que envolve o infanticídio no Código Penal, um tipo penal marcado por exceções, requisitos específicos e forte carga valorativa.
O art. 123 do Código Penal brasileiro reconhece que determinadas circunstâncias psíquicas e fisiológicas relacionadas ao parto podem influenciar decisivamente a conduta da mãe.
Por isso, o legislador optou por criar um tipo penal autônomo, com pena significativamente menor do que a prevista para o homicídio simples. Essa escolha, contudo, não elimina as controvérsias doutrinárias e jurisprudenciais que cercam o tema.
Além disso, a correta tipificação do infanticídio possui relevância prática direta, sobretudo para a atuação da defesa, do Ministério Público e do magistrado, já que a confusão com o homicídio pode gerar graves distorções punitivas.
Neste artigo, você vai entender o conceito legal de infanticídio, seus requisitos, os elementos especiais do tipo penal e os principais debates que permeiam a aplicação do art. 123 do CP.
O Infanticídio no Código Penal Brasileiro
Para compreender o alcance do infanticídio, é indispensável partir de sua previsão normativa, analisando o texto legal, o bem jurídico tutelado e a natureza jurídica do crime.
1. Previsão Legal do Art. 123 do Código Penal
O infanticídio está previsto no art. 123 do Código Penal, que dispõe:
“Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após.”
A simples leitura do dispositivo já revela que não se trata de um homicídio comum. O tipo penal exige, cumulativamente, três elementos centrais:
Que o sujeito ativo seja a mãe.
Que a vítima seja o próprio filho recém-nascido.
Que a conduta ocorra sob a influência do estado puerperal, durante o parto ou logo após.
Esses requisitos fazem do infanticídio um tipo penal fechado, cuja aplicação não admite ampliações interpretativas excessivas. A ausência de qualquer desses elementos afasta a incidência do art. 123 do CP, conduzindo, em regra, à tipificação por homicídio.
2. Bem Jurídico Tutelado
Embora o infanticídio possua disciplina própria, o bem jurídico tutelado permanece sendo o direito à vida, assim como ocorre no homicídio e nos demais crimes contra a vida.
A diferença não está na proteção conferida ao bem jurídico, mas na avaliação da culpabilidade da conduta, que o legislador considerou reduzida em razão do estado especial em que se encontra a mãe no momento do parto.
Assim, o infanticídio não representa uma relativização do valor da vida do recém-nascido, mas sim uma atenuação da resposta penal diante de circunstâncias excepcionais.
3. Natureza Jurídica do Crime de Infanticídio
Do ponto de vista técnico, o infanticídio é classificado como crime próprio, pois somente pode ser praticado por sujeito ativo determinado: a mãe. Trata-se também de crime material, que exige resultado naturalístico (a morte do recém-nascido), e de crime doloso, já que não há previsão legal para a forma culposa.
Além disso, o infanticídio é considerado um crime instantâneo, consumando-se no momento da morte, ainda que seus efeitos se prolonguem no tempo. Essa classificação tem impacto direto na análise da tentativa, da consumação e da competência para julgamento pelo Tribunal do Júri.
4. Crime Autônomo ou Modalidade de Homicídio? Debate Doutrinário
A doutrina penal majoritária entende que o infanticídio é um crime autônomo, e não uma forma privilegiada de homicídio. Isso porque o art. 123 do CP descreve um tipo penal completo, com elementos próprios e pena específica.
Por outro lado, parte da doutrina sustenta que o infanticídio funcionaria, na prática, como uma espécie de homicídio privilegiado qualificado por circunstâncias pessoais da agente, especialmente pelo estado puerperal.
Essa divergência não é meramente acadêmica: ela influencia a interpretação sobre concurso de pessoas, comunicabilidade de circunstâncias e dosimetria da pena.
Em síntese, compreender a natureza jurídica do infanticídio é essencial para evitar erros de enquadramento e garantir uma aplicação coerente do Direito Penal.
Conceito Penal de Infanticídio
Antes de analisar sujeitos, elementos subjetivos ou consequências penais, é fundamental compreender o conceito jurídico-penal de infanticídio, tal como delineado pelo legislador e desenvolvido pela doutrina.
1. Definição Legal e Conceito Doutrinário
O infanticídio no Código Penal é definido legalmente como a conduta de matar o próprio filho, sob a influência do estado puerperal, durante o parto ou logo após. Essa definição, embora aparentemente simples, carrega uma série de pressupostos técnicos que não podem ser ignorados.
Do ponto de vista doutrinário, o infanticídio é compreendido como um crime excepcional, construído a partir da ideia de que o estado físico-psíquico da mãe no contexto do parto pode reduzir sua capacidade de autodeterminação, ainda que não chegue a excluí-la totalmente.
Não se trata, portanto, de inimputabilidade, mas de culpabilidade diminuída, razão pela qual o legislador optou por uma pena mais branda.
2. A Morte do Recém-Nascido como Elemento Nuclear
Elemento central do tipo penal é a morte do recém-nascido, entendendo-se como tal a criança já nascida com vida. A doutrina majoritária exige a comprovação de que houve vida extrauterina, ainda que por breve lapso temporal.
Esse ponto é decisivo para diferenciar o infanticídio do aborto. Se o feto ainda não iniciou a vida extrauterina, o fato jamais poderá ser enquadrado no art. 123 do CP.
Por isso, exames periciais, como o docimasia hidrostática de Galeno, historicamente assumiram papel relevante na comprovação da respiração pulmonar, embora hoje sejam analisados com cautela científica.
3. Diferença Entre Infanticídio, Aborto e Homicídio
A distinção entre infanticídio, aborto e homicídio é uma das maiores fontes de erro prático na aplicação do Direito Penal.
O aborto tutela a vida intrauterina e pressupõe a morte do feto antes do início do parto. O homicídio, por sua vez, protege a vida humana em sentido amplo, sem exigir vínculo materno ou estado puerperal. Já o infanticídio situa-se em uma zona intermediária: protege a vida do recém-nascido, mas considera as condições subjetivas específicas da mãe no contexto do parto.
Portanto, não é o simples fato de a mãe matar o filho que caracteriza o infanticídio, mas a conjugação precisa de elementos objetivos e subjetivos previstos no tipo penal.
4. Importância do Critério Temporal “Durante ou Logo Após o Parto”
O critério temporal previsto no art. 123 do CP, “durante o parto ou logo após”, é propositalmente indeterminado, o que gera intensos debates doutrinários e jurisprudenciais.
A doutrina rejeita interpretações matemáticas ou cronológicas rígidas. O que se analisa é se, no momento da conduta, a mãe ainda se encontrava sob a influência do estado puerperal.
Assim, há casos em que o infanticídio é reconhecido horas ou até dias após o parto, desde que demonstrado o nexo entre o estado puerperal e a conduta homicida.
Sujeito Ativo e Sujeito Passivo
Compreendido o conceito penal de infanticídio, passa-se à análise dos sujeitos do delito, aspecto que revela a natureza restritiva e pessoal do tipo penal.
1. A Mãe como Sujeito Ativo Exclusivo
O infanticídio é um crime próprio, cujo sujeito ativo só pode ser a mãe biológica da vítima. Nenhuma outra pessoa, pai, familiares ou terceiros, pode praticar infanticídio, ainda que atue no contexto do parto.
Essa exigência decorre diretamente do elemento subjetivo especial do tipo: o estado puerperal, que é uma condição fisiopsíquica exclusiva da parturiente. Assim, mesmo que outra pessoa mate o recém-nascido durante o parto, o fato jamais será infanticídio para esse terceiro.
2. Possibilidade de Coautoria e Participação
A análise do concurso de pessoas no infanticídio exige especial cautela, pois envolve a comunicabilidade — ou não — de circunstâncias pessoais.
Participação de Terceiros
A doutrina majoritária admite a participação de terceiros no infanticídio, desde que a mãe seja a autora do fato principal e o terceiro atue como partícipe, instigando ou auxiliando a conduta.
Nesses casos, o partícipe responde, em regra, pelo mesmo crime de infanticídio, aplicando-se o art. 30 do Código Penal, que permite a comunicabilidade das circunstâncias de caráter pessoal quando elementares do crime.
Enquadramento Penal do Partícipe
Há, contudo, posição divergente que sustenta que o terceiro deveria responder por homicídio, sob o argumento de que o estado puerperal é circunstância personalíssima da mãe. A jurisprudência, entretanto, tende a reconhecer que, sendo o estado puerperal elementar do tipo, ele se comunica ao partícipe que tinha ciência da situação.
Essa controvérsia demonstra como o infanticídio desafia soluções simplistas e exige análise casuística cuidadosa.
3. O Recém-Nascido como Sujeito Passivo
O sujeito passivo do infanticídio é o recém-nascido, entendido como o filho da agente que já iniciou vida extrauterina. Não se exige viabilidade prolongada nem desenvolvimento completo; basta que tenha ocorrido o nascimento com vida.
Esse elemento reforça a necessidade de prova técnica robusta, pois a definição do sujeito passivo influencia diretamente a tipificação penal e as consequências jurídicas do caso.
O Estado Puerperal como Elemento Especial do Tipo
O elemento mais sensível, e mais controvertido, do infanticídio no Código Penal é, sem dúvida, o estado puerperal, pois é ele que justifica a existência do tipo penal e a mitigação da resposta punitiva.
1. Conceito Médico-Legal de Estado Puerperal
O estado puerperal pode ser definido, sob a perspectiva médico-legal, como o conjunto de alterações físicas, hormonais e psíquicas que acometem a mulher em razão do parto. Essas alterações podem provocar instabilidade emocional, confusão mental e diminuição da capacidade de autocontrole.
No âmbito jurídico-penal, entretanto, o estado puerperal não se confunde com doença mental, tampouco com inimputabilidade. Trata-se de uma condição transitória que reduz, mas não elimina, a capacidade de compreensão e autodeterminação da agente.
2. Estado Puerperal x Emoção ou Perturbação Psíquica
É essencial diferenciar o estado puerperal de meros estados emocionais intensos, como medo, vergonha ou desespero. A doutrina é firme ao afirmar que emoções comuns, ainda que intensas, não são suficientes para caracterizar o infanticídio.
O estado puerperal exige uma alteração psíquica diretamente relacionada ao fenômeno biológico do parto, não bastando dificuldades sociais, abandono familiar ou rejeição à gravidez. Quando a conduta decorre exclusivamente desses fatores, a tipificação correta tende a ser o homicídio, e não o infanticídio.
3. Exigência de Nexo Causal Entre Estado Puerperal e Conduta
Não basta a simples existência do estado puerperal. É indispensável que haja nexo causal entre esse estado e a prática da conduta homicida. Em outras palavras, o crime deve ser cometido sob a influência do estado puerperal, conforme exige expressamente o art. 123 do CP.
Essa exigência reforça o caráter restritivo do tipo penal. Se a mãe age de forma fria, premeditada ou por motivos alheios ao parto, mesmo que ainda esteja no período puerperal, o infanticídio deve ser afastado.
4. Prova do Estado Puerperal no Processo Penal
A comprovação do estado puerperal é um dos maiores desafios probatórios nos processos por infanticídio. Embora a perícia médica seja relevante, não existe exame técnico conclusivo, capaz de atestar, isoladamente, a influência do estado puerperal no momento da ação.
Por isso, a jurisprudência admite a prova por indícios, a partir da análise do contexto fático, do comportamento da agente antes e após o parto, de laudos médicos, prontuários hospitalares e depoimentos. O juiz deve realizar uma avaliação global, evitando presunções automáticas.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo Penal
Após a análise do estado puerperal, é necessário examinar os elementos estruturais do tipo penal, tanto no plano objetivo quanto no subjetivo.
1. Conduta Típica e Resultado
A conduta típica do infanticídio consiste em matar o próprio filho recém-nascido. Trata-se de verbo nuclear claro, que exige ação ou omissão penalmente relevante.
O resultado é a morte da vítima, sendo indispensável a comprovação do nexo causal entre a conduta da mãe e o óbito. A omissão também pode configurar o crime, desde que a agente tenha dever jurídico de agir, como nos casos de abandono deliberado do recém-nascido logo após o parto.
2. Dolo no Crime de Infanticídio
O infanticídio é crime exclusivamente doloso. Exige-se que a mãe tenha consciência e vontade de produzir o resultado morte, ainda que esse dolo seja influenciado pela instabilidade psíquica do estado puerperal.
A doutrina admite o dolo eventual, desde que demonstrado que a agente assumiu o risco de produzir o resultado letal. Em contrapartida, a forma culposa é inadmissível, por ausência de previsão legal expressa.
3. Admissibilidade da Forma Culposa
A inexistência de previsão de infanticídio culposo reforça o caráter excepcional do tipo penal. Se a morte do recém-nascido decorre de negligência, imprudência ou imperícia da mãe, sem dolo, a conduta pode ser atípica ou enquadrada em outro tipo penal, a depender do caso concreto.
Esse ponto evidencia a importância da análise subjetiva minuciosa da conduta, evitando automatismos punitivos.
4. Consumação e Tentativa
O infanticídio se consuma com a morte do recém-nascido. A tentativa é plenamente admissível, desde que iniciada a execução e não consumado o resultado por circunstâncias alheias à vontade da agente.
Nos casos de tentativa, a análise do estado puerperal permanece indispensável, pois ele continua sendo elemento essencial do tipo penal, mesmo sem a produção do resultado final.
Tratamento Penal e Consequências Jurídicas
Após a identificação do infanticídio e de seus elementos constitutivos, é necessário compreender como o ordenamento jurídico responde penalmente a essa conduta e quais são suas principais consequências práticas.
1. Pena Prevista no Art. 123 do Código Penal
O art. 123 do Código Penal prevê pena de detenção, de dois a seis anos, para o crime de infanticídio. Trata-se de uma sanção significativamente inferior à do homicídio simples, cuja pena mínima é de seis anos de reclusão.
Essa opção legislativa reflete o entendimento de que o estado puerperal atenua a censurabilidade da conduta, justificando uma resposta penal menos severa. Não se trata de indulgência, mas de proporcionalidade punitiva, princípio basilar do Direito Penal.
2. Comparação com o Homicídio Simples
A comparação entre infanticídio e homicídio simples evidencia diferenças estruturais relevantes. Enquanto o homicídio exige apenas a morte de alguém, o infanticídio requer elementos pessoais e circunstanciais específicos, que restringem severamente sua incidência.
Além disso, o regime de cumprimento de pena, a possibilidade de substituição por penas restritivas de direitos e o impacto na execução penal são, em regra, mais favoráveis no infanticídio, o que reforça a importância da correta tipificação desde a fase investigatória.
3. Possibilidade de Benefícios Penais
Por possuir pena máxima de seis anos e ser punido com detenção, o infanticídio admite benefícios penais relevantes, como:
Substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos.
Suspensão condicional da pena, quando preenchidos os requisitos legais.
Fixação de regime inicial mais brando.
Esses efeitos concretos tornam o enquadramento no art. 123 do CP decisivo para a estratégia defensiva e para a atuação judicial.
4. Reflexos na Dosimetria da Pena
Na dosimetria, o juiz deve considerar as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP, avaliando, entre outros fatores, o grau de influência do estado puerperal na conduta.
Embora o tipo penal já pressuponha uma diminuição da culpabilidade, nada impede que o magistrado avalie concretamente a intensidade dessa influência, o que pode repercutir na fixação da pena-base dentro do intervalo legal.
Jurisprudência e Controvérsias Atuais
A aplicação do infanticídio no plano prático revela divergências interpretativas que merecem atenção, sobretudo no âmbito dos tribunais.
1. Entendimento dos Tribunais Superiores
Os tribunais superiores têm reafirmado que o infanticídio exige prova concreta do estado puerperal e de sua influência na conduta. A simples alegação defensiva, desacompanhada de elementos probatórios mínimos, não é suficiente para afastar a imputação por homicídio.
Além disso, a jurisprudência destaca que o reconhecimento do infanticídio é matéria de mérito, normalmente submetida ao Tribunal do Júri, quando presentes indícios razoáveis.
2. Casos de Desclassificação para Homicídio
É comum a desclassificação do infanticídio para homicídio quando se verifica:
Premeditação.
Ocultação deliberada da gravidez.
Ausência de perturbação psíquica relacionada ao parto.
Intervalo temporal incompatível com a influência do estado puerperal.
Esses critérios demonstram que o art. 123 do CP não pode ser aplicado automaticamente, exigindo análise individualizada de cada caso.
3. Críticas Doutrinárias ao Tipo Penal
Parte da doutrina critica a manutenção do infanticídio como tipo penal autônomo, sustentando que o estado puerperal poderia ser tratado como causa de diminuição de pena no homicídio, evitando discussões artificiais sobre tipicidade.
Outros autores, porém, defendem a permanência do tipo, argumentando que ele cumpre função simbólica e normativa ao reconhecer juridicamente a complexidade do fenômeno do parto.
4. Atualidade e Debate Sobre a Manutenção do Art. 123
O debate sobre a atualização do art. 123 do CP permanece atual, especialmente diante dos avanços da medicina, da psicologia e das políticas públicas de saúde materna. Ainda assim, enquanto vigente, o dispositivo exige aplicação técnica rigorosa, sob pena de injustiças graves.
🎥 Vídeo
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Conclusão
O infanticídio no Código Penal é um dos tipos penais mais delicados do sistema penal brasileiro, justamente por envolver a tutela da vida em um contexto de extrema vulnerabilidade psíquica da agente.
Ao longo do artigo, foi possível compreender que o art. 123 do CP não cria exceções arbitrárias, mas estrutura um tipo penal restritivo, baseado em requisitos cumulativos, especialmente o estado puerperal e seu nexo causal com a conduta.
Em síntese, a correta compreensão do infanticídio evita tanto o excesso punitivo, ao impedir enquadramentos indevidos como homicídio, quanto a banalização do tipo, que comprometeria a proteção da vida. A reflexão final que se impõe é: o desafio do Direito Penal não está em punir mais, mas em punir melhor e com justiça.
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Referências Bibliográficas
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CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: volume único – parte especial. 18. ed., rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora JusPodivm, 2025.
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