O que você verá neste post
Você já parou para pensar em como o Brasil protege os direitos da pessoa com autismo? Garantir dignidade, inclusão e cidadania não é apenas uma meta social, mas um dever legal previsto por uma legislação específica: a Lei nº 12.764/2012.
Neste artigo, você vai entender o que diz essa lei, quais são os direitos fundamentais das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e como a sociedade pode e deve contribuir para a inclusão real. A leitura é essencial para familiares, profissionais, gestores e todos que acreditam em um mundo mais acessível.
Por que o 2 de abril é tão importante?
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é uma data simbólica e necessária. Criada pela ONU, essa iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista, desmistificar conceitos equivocados e fomentar políticas públicas de inclusão.
No Brasil, essa data ganha ainda mais relevância por estar diretamente conectada à legislação que assegura os direitos da pessoa com autismo. A conscientização precisa ir além das redes sociais — deve refletir em ações concretas, baseadas na lei e na empatia.
O que é o Transtorno do Espectro Autista segundo a legislação brasileira?
A Lei nº 12.764/2012, também conhecida como Lei Berenice Piana, define o TEA como um transtorno caracterizado por déficits na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. Essa definição amplia o reconhecimento do autismo como uma deficiência para fins legais, o que garante prioridade e acesso às políticas públicas existentes.
A inclusão da pessoa com autismo como pessoa com deficiência é um marco importante, pois fortalece a rede de proteção legal e os direitos civis e sociais dessa população.
📌 Destaque: Reconhecer o autismo como deficiência é essencial para garantir atendimento prioritário, vagas em concursos, cotas em universidades, entre outros direitos já previstos para pessoas com deficiência.
Direitos da Pessoa com Autismo: o que garante a Lei nº 12.764/2012?
A seguir, apresentamos os principais direitos assegurados pela legislação brasileira às pessoas com autismo. Cada um desses tópicos é uma conquista que precisa ser conhecida, respeitada e cobrada.
🏥 Direito à Saúde
A saúde é um dos pilares fundamentais da lei. A pessoa com TEA tem direito a:
Diagnóstico precoce e preciso, mesmo que não seja definitivo.
Atendimento multiprofissional contínuo, envolvendo psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, médicos e outros especialistas.
Acesso gratuito a medicamentos, quando prescritos.
Acompanhamento nutricional e terapias complementares, conforme necessidade.
Informação clara e acessível aos responsáveis sobre diagnósticos e opções de tratamento.
Esses direitos à saúde são fundamentais para que a criança, adolescente ou adulto com TEA possa se desenvolver com autonomia e qualidade de vida.
🧑🏫 Direito à Educação Inclusiva
A educação inclusiva é um dos pontos mais discutidos quando o assunto é a garantia de direitos da pessoa com autismo. Pela lei:
A matrícula em escolas regulares é obrigatória e não pode ser negada.
A instituição de ensino deve oferecer acompanhamento especializado, quando necessário.
Profissionais de apoio podem ser solicitados, conforme recomendação de especialistas.
Gestores escolares que desrespeitam a lei estão sujeitos a multas e até perda do cargo em caso de reincidência.
Exemplo: Uma escola não pode recusar uma criança com autismo alegando “falta de preparo”. Cabe ao Estado e à escola providenciar a estrutura adequada.
👷 Direito ao Trabalho e à Cidadania
A legislação também prevê o direito à inclusão no mercado de trabalho e o exercício pleno da cidadania. Isso inclui:
Incentivo à contratação de pessoas com autismo por meio de programas de inclusão produtiva.
Acesso à moradia digna, inclusive com residências assistidas quando necessário.
Participação em programas de assistência social e previdência.
Proibição da exclusão de planos de saúde com base no diagnóstico de TEA.
Esses direitos ajudam a garantir que o cidadão com autismo tenha oportunidades reais de participação ativa na sociedade.
CIPTEA – A Carteira de Identificação da Pessoa com Autismo
Criada pela Lei nº 13.977/2020, a CIPTEA é um documento essencial para facilitar o acesso a direitos e garantir atendimento prioritário em serviços públicos e privados.
Como emitir a CIPTEA?
Apresente um relatório médico com CID (Classificação Internacional de Doenças).
Anexe os documentos pessoais da pessoa com autismo e de seu responsável legal.
Procure a prefeitura da sua cidade ou o órgão estadual responsável.
🔎 A carteira tem validade de 5 anos e é válida em todo o território nacional.
Além de identificar, a CIPTEA funciona como um instrumento de conscientização, reduzindo barreiras e agilizando atendimentos em diversos contextos.
A Inclusão Começa na Sociedade: Nosso Papel é Fundamental
A responsabilidade pela inclusão da pessoa com autismo não é exclusiva do Estado. Todos nós temos um papel:
Empresas devem adaptar seus processos e ambientes para inclusão.
Escolas precisam investir em capacitação e estrutura.
Cidadãos comuns devem respeitar as diferenças e combater atitudes capacitistas.
📢 Espalhar conhecimento sobre os direitos da pessoa com autismo é uma forma direta de combater o preconceito.
👉 Conscientizar é incluir. E incluir é cuidar.
Violação de Direitos: O Que Fazer?
Mesmo com todas as garantias legais, ainda são frequentes os casos de violação de direitos da pessoa com autismo. Nesses casos, é essencial agir de forma estratégica e com respaldo jurídico:
Passo a passo para denunciar:
Documente tudo: fotos, prints, laudos, negativas por escrito.
Procure orientação na Defensoria Pública ou com um advogado.
Denuncie formalmente:
Ao Ministério Público.
Ao Conselho Tutelar (em caso de crianças).
Por meio do canal Disque 100, que recebe denúncias de violações de direitos humanos.
A denúncia ajuda não apenas a pessoa envolvida, mas contribui para a fiscalização e cumprimento da lei em todo o país.
Considerações Finais: Por uma Sociedade Realmente Inclusiva
A Lei nº 12.764/2012 é uma conquista histórica para a cidadania e os direitos humanos no Brasil. Mas, como toda legislação, só é efetiva se for conhecida, respeitada e implementada por todos os agentes sociais.
Por isso, mais do que informar, este artigo é um convite: seja um aliado da causa. Promova debates, compartilhe conteúdos, cobre das autoridades e pratique o respeito no cotidiano.
Você já conhecia todos esses direitos?
Se sim, compartilhe com mais pessoas. Se não, agora você tem um novo olhar sobre o autismo — e, principalmente, sobre a importância de garantir direitos com dignidade.
Compartilhe com familiares, educadores e profissionais da saúde! Siga o JurisMenteAberta para mais conteúdos sobre direitos, inclusão e cidadania! 💙♾️