O que você verá neste post
Introdução
As prerrogativas do advogado são garantias legais que sustentam a liberdade e a independência no exercício da advocacia, sendo fundamentais para a preservação da Justiça e da democracia.
Sem esses direitos assegurados, o trabalho do advogado seria constantemente ameaçado por interferências externas, comprometendo o devido processo legal e o direito de defesa.
O advogado é figura indispensável à administração da Justiça, conforme estabelece o artigo 133 da Constituição Federal. Isso significa que o sistema jurídico não funciona adequadamente sem a atuação profissional e autônoma da advocacia.
Nesse contexto, as prerrogativas não representam um privilégio pessoal, mas sim instrumentos que permitem ao advogado cumprir sua função social com segurança e dignidade.
Conhecer essas prerrogativas é essencial tanto para os profissionais da área quanto para os cidadãos em geral. Afinal, ao proteger o advogado, a lei também protege o cidadão, que encontra na advocacia um meio legítimo para reivindicar seus direitos e acessar o Judiciário de forma plena e justa.
O Que São as Prerrogativas do Advogado?
As prerrogativas do advogado são dispositivos legais que asseguram uma atuação profissional livre de pressões, abusos ou interferências indevidas. Elas existem para garantir que o advogado possa exercer sua função sem medo de retaliações, especialmente quando atua na defesa de interesses contrários ao poder estatal ou a figuras de autoridade.
Essas prerrogativas estão previstas, principalmente, na Lei nº 8.906/1994, conhecida como Estatuto da Advocacia e da OAB, e encontram respaldo direto na Constituição Federal de 1988, especialmente no artigo 133.
São normas que regulam a relação entre o advogado e as instituições públicas, assegurando, por exemplo, o direito de se comunicar com clientes presos, acessar autos de processos sigilosos (nos limites legais), e o respeito à inviolabilidade de seu local de trabalho.
Prerrogativa Não é Privilégio: Entenda a Diferença
É comum que as prerrogativas do advogado sejam confundidas com privilégios. No entanto, essa interpretação é incorreta e prejudica a compreensão do papel da advocacia no Estado Democrático de Direito. Privilégios são vantagens pessoais e arbitrárias.
Já as prerrogativas são instrumentos de proteção institucional, voltados à coletividade, porque viabilizam o exercício pleno da defesa e a garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos.
Sem essas garantias, o advogado se tornaria vulnerável a pressões de autoridades, o que comprometeria a independência necessária para questionar abusos, denunciar ilegalidades e defender os interesses de seus clientes com firmeza e ética.
Fundamento Constitucional das Prerrogativas
As prerrogativas do advogado têm origem direta na Constituição Federal de 1988, o que reforça sua importância para o funcionamento do Estado Democrático de Direito. O artigo 133 da Carta Magna é categórico ao afirmar que “o advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.”
Essa previsão constitucional confere ao advogado um papel central na defesa da cidadania, da legalidade e dos direitos fundamentais. A atuação do profissional da advocacia é, portanto, mais do que um serviço técnico: é uma atividade de interesse público, essencial para o equilíbrio entre os poderes e a garantia de acesso à Justiça.
1. A relação Entre Prerrogativas e o Estado Democrático de Direito
No Estado Democrático de Direito, nenhum poder é absoluto. Todos os cidadãos, inclusive os agentes públicos, estão sujeitos à Constituição e às leis.
Nesse contexto, o advogado exerce um papel de controle social e de resistência contra abusos, promovendo o respeito às garantias constitucionais. Para que esse papel seja efetivo, o profissional precisa atuar com liberdade e independência, e é aí que entram as prerrogativas.
As prerrogativas funcionam como um escudo institucional. Elas não protegem o indivíduo advogado enquanto pessoa física, mas o profissional no exercício de sua missão constitucional. Impedir ou dificultar o pleno exercício da advocacia é, na prática, violar o direito do cidadão à ampla defesa e ao contraditório.
2. Princípios Constitucionais Protegidos Pelas Prerrogativas
Além do artigo 133, as prerrogativas do advogado se relacionam com diversos outros princípios constitucionais:
Ampla defesa (art. 5º, LV): assegura que toda pessoa terá a oportunidade de se defender em processo judicial ou administrativo, com os meios e recursos adequados.
Devido processo legal (art. 5º, LIV): garante que nenhum cidadão será privado de seus direitos sem o devido trâmite legal.
Inviolabilidade da correspondência e comunicações (art. 5º, XII): proteção estendida ao advogado em seu ambiente de trabalho, conforme previsto também no Estatuto da Advocacia.
Em resumo, as prerrogativas do advogado são garantias constitucionais que asseguram não apenas os direitos da classe, mas a efetividade da Justiça como um todo. Negar essas prerrogativas é colocar em risco a democracia e o acesso igualitário ao Judiciário.
Prerrogativas Previstas no Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94)
O Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994) é o principal diploma legal que regulamenta as prerrogativas do advogado no Brasil. Ele estabelece direitos específicos que asseguram a atuação independente, digna e protegida do profissional, seja na esfera judicial ou extrajudicial.
Essas prerrogativas não são benefícios pessoais, mas sim instrumentos para garantir que o advogado possa cumprir seu papel constitucional de forma plena, especialmente na defesa dos interesses do cidadão frente ao poder público.
1. Inviolabilidade do Local de Trabalho e Comunicações
Uma das prerrogativas mais relevantes está no artigo 7º, inciso II, que garante a inviolabilidade do local de trabalho do advogado, bem como de seus instrumentos de trabalho, correspondência, e comunicações, inclusive telefônicas e eletrônicas, desde que relacionadas ao exercício da profissão.
Essa proteção tem o objetivo de preservar o sigilo profissional e impedir abusos por parte de autoridades, como buscas e apreensões arbitrárias.
2. Comunicação Com Clientes Presos
O inciso III do artigo 7º assegura ao advogado o direito de comunicar-se com seus clientes presos, pessoal e reservadamente, mesmo que estes estejam em regime de incomunicabilidade. Essa prerrogativa é fundamental para garantir o exercício da defesa em sua plenitude, ainda que em situações excepcionais.
3. Acesso aos Autos de Processos, Inclusive Sigilosos
O advogado também possui o direito de acessar autos de processos judiciais e administrativos, mesmo sem procuração, quando se tratar de procedimentos públicos (art. 7º, inciso XIII).
Além disso, é garantido o acesso aos processos sigilosos, desde que o advogado esteja constituído no caso.
Esse direito é essencial para garantir transparência e permitir a adequada atuação técnica desde o início da tramitação do processo.
4. Direito à Manifestação em Qualquer Juízo ou Tribunal
O Estatuto garante ao advogado plena liberdade para se manifestar em qualquer juízo, tribunal ou instância, seja por escrito ou oralmente, nos autos dos processos em que atua.
Esse direito assegura que sua voz será ouvida e respeitada em todos os momentos da tramitação processual, contribuindo para o contraditório e a ampla defesa.
5. Inviolabilidade por Opiniões e Manifestações
O inciso VIII do artigo 7º estabelece que o advogado é inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, desde que dentro dos limites da lei. Isso significa que o profissional não pode ser punido por declarações ou atitudes tomadas no exercício de sua função, exceto se ultrapassar os limites éticos ou legais.
6. Presença em diligências e audiências
Outra prerrogativa importante é a de acompanhar diligências e audiências, mesmo que realizadas sem a presença do cliente (art. 7º, incisos VI e X).
Essa medida impede a realização de atos processuais que possam comprometer o direito de defesa, assegurando a participação do advogado em todas as fases da investigação ou do processo.
7. Direito ao Desagravo Público
Quando o advogado é ofendido ou tem suas prerrogativas violadas por autoridades ou terceiros em razão do exercício profissional, a OAB pode promover o desagravo público (art. 7º-A).
Essa manifestação solene busca restaurar a dignidade do profissional, reafirmando a importância de sua atuação para a Justiça.
Prerrogativas na Prática: Exemplos Concretos de Aplicação
Compreender as prerrogativas do advogado sob a ótica da prática jurídica é fundamental para perceber sua real importância no cotidiano da profissão. Apesar de estarem expressas em lei, muitas vezes essas garantias são ignoradas ou desrespeitadas por autoridades públicas, gerando conflitos e violando direitos fundamentais.
1. A Atuação do Advogado em Delegacias e Presídios
Um dos cenários mais recorrentes de violação de prerrogativas é o atendimento a clientes presos. É comum que advogados sejam impedidos de se comunicar com seus clientes de forma reservada em delegacias ou unidades prisionais, o que contraria diretamente o artigo 7º, inciso III, do Estatuto da Advocacia.
Mesmo em situações de incomunicabilidade decretada judicialmente, o advogado tem o direito assegurado de manter contato com o cliente, justamente para garantir a ampla defesa e o direito ao contraditório.
Quando esse direito é negado, o profissional deve comunicar a OAB, que pode intervir imediatamente para restabelecer a legalidade da atuação.
2. Casos de Acesso Negado a Processos e Documentos
Outro exemplo frequente de violação ocorre quando servidores do Judiciário, promotores ou delegados negam ao advogado o acesso aos autos de um processo ou a documentos públicos, exigindo procuração ou impedindo consultas sob alegações infundadas de sigilo.
Esse tipo de conduta, além de ilegal, compromete a efetividade da defesa técnica e pode atrasar ou prejudicar o andamento do caso. A jurisprudência tem reconhecido, reiteradamente, que o advogado tem o direito de acessar os autos, mesmo sem procuração, desde que o processo não esteja sob sigilo e não envolva dados especialmente protegidos.
3. Abusos Durante Audiências e Diligências
Há também situações em que o advogado é impedido de se manifestar durante audiências, ou é desrespeitado por juízes, promotores e policiais no exercício de sua função.
Em casos mais graves, há registros de prisões arbitrárias de advogados que apenas exigiam o cumprimento de seus direitos ou se manifestavam em defesa do cliente.
Esses episódios, infelizmente, não são raros e configuram grave violação das prerrogativas profissionais. Quando ocorrem, cabe à OAB intervir imediatamente, podendo, inclusive, ajuizar ações contra as autoridades responsáveis e promover o desagravo público do advogado prejudicado.
4. Atuação das Comissões de Prerrogativas da OAB
Diante dessas violações, a OAB tem um papel crucial na fiscalização e defesa das prerrogativas.
Por meio de suas Comissões de Prerrogativas, presentes em todas as seccionais e subseções do país, a Ordem oferece apoio direto ao profissional, acompanha diligências, ingressa com medidas judiciais e realiza ações educativas para a conscientização de autoridades e da sociedade.
Além disso, a OAB mantém canais de denúncia e plantões de atendimento para que qualquer violação seja rapidamente comunicada e enfrentada. A atuação ativa dessas comissões tem sido fundamental para fortalecer o respeito às garantias profissionais e ampliar o reconhecimento da importância da advocacia.
O Papel da OAB na Defesa das Prerrogativas
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) exerce um papel institucional indispensável na proteção das prerrogativas do advogado. Como entidade representativa da classe, a OAB não apenas regulamenta o exercício da profissão, mas também atua diretamente na defesa dos direitos e garantias legais da advocacia em todo o território nacional.
1. Comissões de Prerrogativas: Vigilância Constante em Defesa da Classe
Uma das principais ferramentas da OAB para garantir essa defesa são as Comissões de Prerrogativas, presentes em todas as seccionais e em muitas subseções da entidade. Essas comissões são responsáveis por:
Receber e apurar denúncias de violações de prerrogativas.
Acompanhar advogados em audiências e diligências sensíveis.
Interceder junto a autoridades públicas em casos de abuso de poder.
Oferecer suporte jurídico aos profissionais vítimas de violações.
O funcionamento dessas comissões é descentralizado, o que permite uma resposta rápida e eficaz às situações que ocorrem em diferentes regiões do país. Em muitos casos, a simples presença de um membro da comissão já é suficiente para restaurar o respeito às prerrogativas.
2. Desagravo Público: Reparação Moral e Institucional
Uma das formas simbólicas e importantes de defesa da advocacia promovidas pela OAB é o desagravo público. Previsto no artigo 7º-A do Estatuto da Advocacia, esse ato é uma resposta institucional à violação injusta das prerrogativas do advogado por parte de autoridades, servidores ou qualquer outra figura pública ou privada.
O desagravo é aprovado pelos Conselhos da OAB e divulgado amplamente, inclusive com atos públicos e manifestações, reafirmando a dignidade da advocacia e o compromisso da entidade com seus inscritos.
Mais do que um gesto simbólico, trata-se de uma ação institucional que fortalece o prestígio da profissão e desestimula novas violações.
3. Atuação Judicial da OAB: Ações e Representações
A OAB também atua de forma contundente no plano judicial, por meio da propositura de ações civis públicas, mandados de segurança e habeas corpus, quando necessário, em defesa de advogados que tenham suas prerrogativas violadas.
Essa atuação visa não só a proteção do profissional atingido, mas também o estabelecimento de precedentes jurisprudenciais que afirmem a autoridade das garantias legais da advocacia.
Além disso, a entidade tem legitimidade para propor ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) quando há normas que atentem contra o livre exercício da profissão.
4. Ações Educativas e Preventivas
Outro eixo de atuação da OAB está na educação institucional e na prevenção de conflitos. As comissões promovem cursos, palestras e cartilhas sobre as prerrogativas, tanto para advogados quanto para membros do Judiciário, do Ministério Público e da polícia.
Esse trabalho educativo é essencial para reduzir a incompreensão ou má-fé que, muitas vezes, motivam os desrespeitos às prerrogativas. Ao promover o diálogo interinstitucional, a OAB contribui para um ambiente mais equilibrado e respeitoso entre os operadores do Direito.
Limites e Responsabilidades do Advogado no Uso das Prerrogativas
Embora as prerrogativas do advogado sejam garantias fundamentais para o pleno exercício da advocacia, elas não são absolutas nem devem ser utilizadas como escudo para práticas indevidas. O seu uso responsável é essencial para manter a credibilidade da profissão e o equilíbrio entre os poderes no sistema de Justiça.
1. Prerrogativas Não São Permissões Para Abusos
Um dos equívocos mais comuns é confundir as prerrogativas com uma espécie de imunidade ilimitada. No entanto, as garantias legais da advocacia não autorizam o desrespeito a autoridades, servidores públicos ou normas processuais.
O exercício dessas prerrogativas deve estar sempre vinculado ao propósito legítimo de defesa técnica dos interesses do cliente e ao respeito às normas de conduta da classe.
Por exemplo, o direito de livre manifestação não autoriza ofensas pessoais ou acusações infundadas contra magistrados, promotores ou partes adversas. Da mesma forma, o acesso a processos sigilosos deve respeitar os limites legais e os direitos dos demais envolvidos.
2. Responsabilidade Ética e Disciplinar
O Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina da OAB estabelecem deveres que equilibram os direitos do advogado, como:
Atuar com dignidade e urbanidade com colegas, juízes, partes e servidores (arts. 2º e 31 do Código de Ética).
Não utilizar os meios legais de forma temerária ou com finalidade protelatória.
Resguardar o sigilo profissional, inclusive quando atuar contra interesses de ex-cliente.
O uso indevido das prerrogativas pode ensejar responsabilidade disciplinar, sujeitando o advogado a sanções que vão desde advertência até suspensão do exercício profissional.
3. Responsabilidade Civil e Penal
Além da esfera ética, o advogado também pode responder civil e penalmente por atos praticados sob o manto das prerrogativas, caso utilize sua posição para cometer abusos, ameaças, difamação, ou envolva-se em práticas ilícitas como corrupção ou associação criminosa.
Importante destacar que a inviolabilidade do advogado por seus atos no exercício da profissão (art. 133 da Constituição) está condicionada aos “limites da lei”. Isso significa que não há proteção para condutas abusivas, desonestas ou que violem direitos alheios.
4. O Equilíbrio Entre Firmeza e Respeito
O exercício firme das prerrogativas é um dever do advogado, sobretudo quando está diante de arbitrariedades. No entanto, essa firmeza deve ser acompanhada de cortesia, técnica e bom senso.
O profissional que conhece seus direitos e os exerce com responsabilidade fortalece não apenas a própria atuação, mas a imagem da advocacia como pilar da Justiça.
A advocacia combativa não precisa ser hostil. A defesa dos direitos do cliente pode — e deve — ser feita com firmeza, mas também com respeito às instituições e ao Estado de Direito.
Desafios Enfrentados Pelos Advogados na Atualidade
Apesar das previsões legais e constitucionais, o exercício das prerrogativas do advogado ainda enfrenta uma série de obstáculos práticos. No cenário atual, diversos fatores contribuem para a violação frequente desses direitos, dificultando o pleno desempenho da função advocatícia e comprometendo a própria efetividade da Justiça.
1. Criminalização da Advocacia
Um dos maiores desafios enfrentados hoje é a criminalização da atividade do advogado, especialmente na atuação em áreas sensíveis como o direito penal, empresarial e tributário.
Em muitos casos, advogados que apenas exercem seu dever de defesa técnica são injustamente confundidos com os atos de seus clientes, sendo alvo de investigações, buscas e até prisões.
Essa distorção compromete a independência da advocacia e desrespeita o princípio da presunção de inocência. A Constituição e o Estatuto da OAB deixam claro que o advogado não se confunde com a parte que representa. Portanto, tratá-lo como cúmplice sem provas concretas é grave violação às prerrogativas e ao Estado de Direito.
2. Conflitos Com Autoridades Judiciais e Policiais
Outro problema recorrente é o conflito com juízes, promotores e autoridades policiais, especialmente em momentos em que o advogado exige o cumprimento de suas prerrogativas.
Muitos profissionais relatam casos de desrespeito, ofensas verbais, impedimento de atuação e até ameaças no exercício regular da profissão.
Essas situações geram constrangimento, inibem a atuação técnica e, por vezes, levam o advogado a se omitir por receio de retaliações. Isso é particularmente preocupante em ambientes como audiências, delegacias e presídios, onde a presença do advogado é fundamental para a legalidade dos atos.
3. Falta de Conhecimento Sobre as Prerrogativas
Tanto advogados recém-formados quanto autoridades públicas, muitas vezes, desconhecem as prerrogativas da advocacia, o que facilita sua violação. A ausência de formação adequada sobre o tema contribui para conflitos evitáveis e para o tratamento desigual entre os profissionais do Direito.
Essa realidade demonstra a urgência de uma educação jurídica mais sólida e continuada, que contemple não apenas os direitos do advogado, mas também os limites e o respeito mútuo entre os agentes do sistema de Justiça.
4. Resistência Institucional e Burocracia
Mesmo com o apoio da OAB, os advogados muitas vezes enfrentam resistência institucional quando tentam exercer suas prerrogativas. Isso pode incluir demora no atendimento em delegacias, negativa de acesso a processos, ou exigência de formalidades indevidas para atos simples da profissão.
Além disso, a burocracia interna em órgãos públicos, como tribunais e repartições administrativas, muitas vezes atrasa ou inviabiliza o acesso a documentos e informações essenciais para a defesa do cliente, mesmo quando o advogado está regularmente constituído.
Como Proteger e Reivindicar Suas Prerrogativas
O respeito às prerrogativas do advogado não deve ser apenas uma expectativa: é um direito garantido por lei e um dever institucional. Diante de uma violação, o advogado não pode se calar. É fundamental que ele saiba como agir de forma técnica, assertiva e, sobretudo, amparada pelas normas legais e pela atuação da OAB.
1. Primeiros Passos Diante de Uma Violação
Quando o advogado tiver suas prerrogativas violadas, seja por impedimento de acesso a processos, negativa de comunicação com cliente, ofensas ou obstrução em audiências, é fundamental:
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Registrar detalhadamente o ocorrido, anotando data, hora, local e os nomes dos envolvidos.
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Buscar testemunhas ou qualquer outro meio de prova (vídeos, áudios, documentos) que possa comprovar a violação.
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Manter a postura profissional, mesmo em face de arbitrariedades, para não comprometer a sua própria conduta ética.
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Evitar discutir ou reagir de forma agressiva, pois isso pode ser usado contra o advogado posteriormente.
Essas ações iniciais são essenciais para formalizar a denúncia e garantir uma atuação efetiva da OAB na proteção dos direitos violados.
2. Como Acionar a OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil possui canais específicos para atendimento em casos de violação de prerrogativas. O profissional pode:
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Procurar a Comissão de Prerrogativas da subseção ou seccional de sua região.
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Formalizar uma denúncia por escrito, preferencialmente com documentos e provas do ocorrido.
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Solicitar acompanhamento presencial em diligências, audiências ou atendimentos que estejam sendo indevidamente dificultados.
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Registrar ocorrência em plantões de prerrogativas, que funcionam em diversas localidades inclusive fora do horário comercial.
Em casos de gravidade, a OAB pode acionar o Ministério Público, o Judiciário ou até impetrar habeas corpus em favor do advogado que esteja sofrendo constrangimento ilegal no exercício da profissão.
3. O Valor da Atuação em Rede
É importante que o advogado não enfrente essas situações de forma isolada. O contato com colegas, instituições e comissões da OAB fortalece a reação contra violações. Além disso, a solidariedade entre advogados tem sido uma das principais armas contra abusos sistemáticos e tentativas de intimidação institucional.
A criação de grupos de apoio, redes de defesa e canais de denúncia é cada vez mais comum, sobretudo nas redes sociais, onde o advogado pode encontrar suporte, orientação e encaminhamentos rápidos.
3. A Importância da Formação Contínua
Para proteger suas prerrogativas, o advogado também precisa conhecê-las profundamente. O estudo constante da legislação, da jurisprudência e dos documentos orientativos da OAB é essencial. Cursos, palestras e publicações voltadas ao tema são oportunidades valiosas para fortalecer a atuação técnica e segura da advocacia.
Vídeo
Para aprofundar ainda mais seu conhecimento sobre as prerrogativas dos advogados, especialmente no contexto do Exame da OAB, recomendamos esta aula clara e didática do professor Paulo Henrique Helene.
O vídeo aborda de forma direta os principais pontos do art. 7º do Estatuto da Advocacia, explicando como essas garantias são essenciais para o livre exercício da profissão e para a efetivação da Justiça.
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Conclusão
As prerrogativas do advogado não são meros instrumentos corporativistas, mas garantias constitucionais que servem à coletividade. Ao assegurar que o advogado possa atuar com liberdade, independência e proteção legal, a legislação preserva o direito de defesa do cidadão, a legalidade dos atos estatais e a própria integridade do sistema de Justiça.
Ao longo deste artigo, ficou evidente que o respeito às prerrogativas é essencial para a efetivação do Estado Democrático de Direito. Elas não conferem imunidade absoluta, tampouco superioridade hierárquica, mas sim condições técnicas e jurídicas adequadas para o pleno exercício da advocacia, em benefício da sociedade.
Cabe ao advogado conhecer, reivindicar e exercer essas prerrogativas com responsabilidade, ética e firmeza. Mais do que proteger a profissão, essa atitude contribui diretamente para a construção de uma Justiça mais justa, acessível e democrática.
Da mesma forma, é dever das instituições públicas, dos agentes estatais e da própria sociedade compreender que, ao respeitar o advogado, respeita-se também o cidadão e os princípios constitucionais que regem o país.
Por fim, a defesa das prerrogativas deve ser uma causa de todos. É pela valorização da advocacia que se garante a voz do povo diante do poder, e é pela sua proteção que se assegura a existência de uma Justiça verdadeiramente livre e comprometida com os direitos fundamentais.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br
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GONÇALVES, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. Prerrogativas da Advocacia. Brasília: OAB Editora, 2020.
OAB Nacional. Portal da Advocacia. Disponível em: https://www.oab.org.br
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 37. ed. São Paulo: Malheiros, 2024.
MARTINS, Ives Gandra da Silva. Direitos e garantias do advogado. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2019.














