Fake News e Crimes Virtuais: Como Denunciar e se Proteger

A propagação de Fake News e os crimes virtuais afetam não apenas a imagem e a honra de pessoas, mas também geram prejuízos financeiros e sociais. Neste artigo, explicamos como denunciar, como se proteger legalmente e quais são os direitos de quem foi vítima de boatos, golpes ou ameaças na internet. Saiba o que a lei diz, como agir e quando recorrer à Justiça.
Fake News e Crimes Virtuais

O que você verá neste post

Introdução

O crescimento das Fake News e Crimes Virtuais representa um dos maiores desafios da atualidade para o Direito, a segurança e a própria convivência social. A facilidade de disseminação de informações falsas e a atuação de criminosos no ambiente digital afetam diretamente a reputação, a integridade e o patrimônio de indivíduos e empresas.

Com a expansão das redes sociais e da conectividade, surgiram novas formas de violação de direitos: ataques à honra, vazamento de dados, golpes financeiros e campanhas difamatórias são apenas alguns exemplos. O que antes se limitava a boatos entre grupos restritos, agora ganha proporções virais em segundos.

Este artigo tem como objetivo explicar de forma clara e acessível como denunciar Fake News e Crimes Virtuais, como se proteger juridicamente e quais são os direitos de reparação civil disponíveis às vítimas. 

Afinal, a internet não é terra sem lei, e ramos como o Direito Civil e o Direito Penal exercem papel fundamental na responsabilização daqueles que ultrapassam os limites da liberdade de expressão.

O Que São Fake News e Crimes Virtuais?

Compreender o que são fake news e crimes virtuais é essencial para identificar suas manifestações no dia a dia e reconhecer os riscos que representam. Ambos os fenômenos estão diretamente ligados à expansão da comunicação digital e, embora distintos, muitas vezes se complementam ao comprometer a segurança, a honra e os direitos das pessoas no ambiente online.

Fake News: muito além de uma simples mentira

O termo “fake news” se refere à criação e disseminação deliberada de informações falsas com a intenção de manipular a opinião pública, prejudicar a reputação de indivíduos ou influenciar decisões sociais, políticas e econômicas. Essas notícias falsas, muitas vezes sensacionalistas, se espalham rapidamente pelas redes sociais, aplicativos de mensagens e sites não confiáveis.

O grande problema das fake news está na sua capacidade de enganar, gerar pânico ou desinformação, especialmente quando envolvem temas sensíveis como saúde pública, eleições, segurança ou honra de pessoas públicas e privadas. 

Assim, em tempos de intensa polarização, essas mensagens ganham força e comprometem a qualidade do debate público.

Crimes virtuais: novas formas de delito no ambiente digital

Crimes virtuais, ou cibernéticos, são infrações penais praticadas com o uso de tecnologias da informação e comunicação, como computadores, celulares e a própria internet. 

Eles abrangem uma ampla variedade de condutas, desde a divulgação de conteúdos difamatórios até fraudes financeiras, invasão de sistemas e divulgação de dados pessoais sem consentimento.

Entre os crimes virtuais mais comuns estão:

  • Calúnia, difamação e injúria online.

  • Invasão de dispositivos eletrônicos.

  • Roubo de dados e identidade digital.

  • Golpes por phishing e engenharia social.

  • Compartilhamento não autorizado de imagens íntimas.

  • Propagação de fake news com fins eleitorais ou comerciais.

É importante diferenciar:

  • Opinião: manifestação pessoal protegida pela liberdade de expressão.

  • Crítica: admissível quando não ultrapassa os limites do respeito.

  • Fake News: são fatos inventados ou distorcidos, com aparência de verdade, que causam dano ou engano deliberadamente.

Esses crimes não só ferem direitos individuais como também ameaçam a ordem pública, exigindo respostas legais e preventivas cada vez mais eficazes.

Legislação Aplicável no Brasil

A legislação brasileira tem avançado no combate às fake news e crimes virtuais, criando instrumentos jurídicos específicos para punir e prevenir condutas ilícitas no ambiente digital. 

Embora não exista uma lei única que trate exclusivamente desses temas, há um conjunto de normas que oferece proteção ao cidadão e orienta a atuação do Poder Judiciário.

Código Penal: crimes contra a honra na internet

O Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/1940) já previa, desde sua origem, os chamados crimes contra a honra — calúnia (art. 138), difamação (art. 139) e injúria (art. 140). Com a popularização das redes sociais, essas condutas passaram a ser frequentemente praticadas no meio digital.

Embora a lei não especifique o meio pelo qual o crime é cometido, o entendimento dos tribunais é claro: se o delito ocorrer via internet, ele é igualmente punível. Em casos mais graves, a pena pode ser aumentada, especialmente quando o conteúdo atinge grande número de pessoas ou se trata de vítima com função pública.

Lei Carolina Dieckmann: proteção contra invasões

A Lei nº 12.737/2012, conhecida como Lei Carolina Dieckmann, foi criada após o vazamento de fotos íntimas da atriz que dá nome à norma. Ela criminalizou a invasão de dispositivos eletrônicos, com pena de três meses a um ano de detenção, além de multa.

Esse tipo penal visa punir quem invade computadores, celulares ou redes alheias para obter, adulterar ou destruir dados sem autorização do proprietário. A lei também cobre casos de instalação de malwares, spywares e outros programas maliciosos.

Lei nº 12.735/2012: estruturação do combate

Complementando a Lei Carolina Dieckmann, a Lei nº 12.735/2012 determinou que os estados brasileiros criassem delegacias especializadas em crimes cibernéticos. Essa medida fortaleceu a estrutura pública para apurar e reprimir delitos praticados no ambiente virtual, facilitando o acesso da população à justiça.

Marco Civil da Internet: direitos e deveres no ambiente digital

O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) é considerado uma espécie de “Constituição da Internet” no Brasil. Ele estabelece os princípios para o uso da rede no país, assegurando direitos como a liberdade de expressão, privacidade e proteção de dados pessoais.

Além disso, o Marco Civil define responsabilidades para os provedores de serviço, determinando que eles só podem ser responsabilizados por conteúdos de terceiros caso não retirem o material após ordem judicial. Essa regra busca equilibrar liberdade de expressão e responsabilização.

LGPD: proteção dos dados pessoais

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018) reforça a segurança da informação ao estabelecer regras claras para a coleta, armazenamento e tratamento de dados pessoais. 

Embora não trate diretamente de fake news, ela protege o cidadão contra o uso indevido de suas informações, o que é fundamental em um ambiente onde a desinformação é muitas vezes impulsionada por bases de dados violadas.

Como Denunciar Fake News e Crimes Virtuais

Se você for vítima de Fake News ou qualquer tipo de crime virtual, é fundamental agir com rapidez e seguir os passos certos para preservar provas e formalizar a denúncia.

Identificar e denunciar fake news e crimes virtuais é um passo essencial para combater essas práticas e proteger os direitos individuais e coletivos. A legislação brasileira oferece caminhos acessíveis para que qualquer cidadão possa formalizar denúncias e acionar os órgãos competentes. 

A seguir, explicamos como agir em cada situação.

Coleta de provas: o primeiro passo

Antes de registrar a denúncia, é fundamental reunir todas as provas disponíveis do crime ou da fake news. Isso inclui:

  • Capturas de tela (prints).

  • Links das postagens.

  • Cópias de mensagens recebidas.

  • E-mails, vídeos ou áudios relacionados ao conteúdo ofensivo ou fraudulento.

Esses materiais servem como evidência jurídica, podendo ser utilizados em inquéritos policiais e processos judiciais.

Delegacias especializadas e boletim de ocorrência

O cidadão pode formalizar a denúncia em qualquer delegacia de polícia, mas o ideal é procurar as delegacias especializadas em crimes cibernéticos, existentes em diversos estados. Caso não haja uma na sua cidade, também é possível registrar o boletim de ocorrência online, acessando os sites das polícias civis estaduais.

Nos registros, é importante detalhar o ocorrido, anexar as provas e, se possível, informar dados sobre o autor da conduta, mesmo que apenas o perfil de rede social.

Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos

Diversos estados possuem delegacias específicas para delitos digitais. Nessas unidades, o atendimento é feito por equipes com conhecimento técnico para investigar crimes online.

Delegacia Virtual

Em muitos estados brasileiros, é possível registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.) online, sem sair de casa. Acesse o site da Polícia Civil do seu estado e procure pela opção “Delegacia Virtual” ou “Denúncia Online”.

Plataformas de redes sociais

Quase todas as plataformas possuem sistemas próprios de denúncia:

  • Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter permitem reportar publicações, perfis e mensagens.

  • Em alguns casos, é possível solicitar a remoção imediata do conteúdo que viola os termos de uso.

Importante: a denúncia na plataforma não substitui o registro policial, mas ajuda a remover rapidamente o conteúdo ofensivo.

Dicas para o registro do B.O.

  • Inclua todos os dados possíveis: links, capturas de tela (prints), nome de perfil, horário da postagem, mensagens recebidas.

  • Descreva de forma objetiva o que aconteceu e os prejuízos causados.

  • Se houver risco iminente (ex: ameaça, exposição íntima), peça medida protetiva ou liminar de urgência.

SaferNet: denúncias anônimas e seguras

A SaferNet Brasil é uma organização reconhecida que atua no combate a crimes e violações de direitos humanos na internet. Por meio do site www.safernet.org.br, é possível denunciar conteúdos ilegais de forma anônima e gratuita.

Entre os temas tratados estão:

  • Fake news.

  • Apologia ao crime.

  • Discurso de ódio.

  • Racismo.

  • Exploração sexual infantil.

  • Incitação à violência.

As denúncias são analisadas e encaminhadas às autoridades competentes.

Contato com o Ministério Público e órgãos judiciais

Em casos mais graves ou que envolvam figuras públicas, ameaças, uso político de desinformação ou danos coletivos, também é possível acionar diretamente o Ministério Público. A atuação do MP pode ocorrer por meio de ações civis públicas, investigações e recomendações administrativas.

Além disso, advogados podem ajuizar ações judiciais, como:

  • Pedido de remoção de conteúdo.

  • Ações de indenização por danos morais.

  • Pedidos de retratação pública, entre outros.

Medidas de Proteção e Prevenção

A prevenção é uma das formas mais eficazes de combater fake news e crimes virtuais. Ao adotar comportamentos seguros e conscientes, é possível reduzir significativamente os riscos de se tornar vítima — ou até propagador — de conteúdos falsos ou ilícitos. 

A seguir, apresentamos orientações práticas para proteger sua identidade, seus dados e sua reputação no ambiente digital.

Verifique sempre antes de compartilhar

A primeira atitude preventiva é a verificação da veracidade das informações que você recebe. Antes de repassar qualquer conteúdo, pergunte-se:

  • A fonte é confiável?

  • A notícia foi publicada em sites jornalísticos sérios?

  • Existem erros grosseiros de linguagem ou elementos sensacionalistas?

Sites de checagem de fatos, como Aos Fatos, Lupa e Boatos.org, são excelentes ferramentas para confirmar se a notícia é verdadeira ou trata-se de uma fake news.

Evite clicar em links suspeitos

Muitos crimes virtuais começam com um simples clique. Mensagens com links encurtados, promessas de prêmios ou conteúdos “urgentes” geralmente escondem malwares ou golpes de phishing. Evite clicar e, se estiver em dúvida, verifique a URL em sites como o VirusTotal.

Utilize senhas seguras e autenticação em dois fatores

Proteja seus dispositivos e contas com:

  • Senhas fortes, combinando letras, números e símbolos;

  • Autenticação em dois fatores (2FA) em e-mails, redes sociais e aplicativos de banco;

  • Atualização frequente de senhas, evitando reutilizá-las em diferentes plataformas.

Essas medidas aumentam a segurança e dificultam o acesso não autorizado às suas informações.

Mantenha sistemas atualizados

Instalar atualizações de sistema e aplicativos não é apenas uma questão de desempenho: muitas delas corrigem falhas de segurança que poderiam ser exploradas por hackers. Mantenha sempre seu sistema operacional, navegador e antivírus em dia.

Tenha cuidado com a exposição nas redes

Evite divulgar informações sensíveis ou pessoais em redes sociais, como:

  • Endereço residencial.

  • Rotina diária.

  • Localização em tempo real.

  • Fotos de documentos ou cartões.

Esses dados podem ser usados para roubo de identidade, fraudes e ataques direcionados.

Conscientize-se e eduque quem está ao seu redor

A segurança digital também depende da educação coletiva. Compartilhe boas práticas com familiares, colegas de trabalho e amigos. Explique a importância de não compartilhar conteúdos falsos e incentive o pensamento crítico no consumo de informação online.

Responsabilidade das Plataformas Digitais

No combate às fake news e crimes virtuais, as plataformas digitais — como redes sociais, aplicativos de mensagens e mecanismos de busca — têm um papel central. Embora a internet seja um espaço aberto à livre manifestação, ela não pode ser um território sem leis. 

Assim, cresce o debate sobre até onde vai a responsabilidade dessas empresas pela segurança e veracidade das informações que circulam em seus ambientes.

O Marco Civil da Internet e o princípio da neutralidade

O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) estabelece que os provedores de conteúdo só podem ser responsabilizados judicialmente por publicações de terceiros caso não retirem o conteúdo após ordem judicial. Isso significa que, a princípio, eles não são obrigados a fazer um controle prévio das postagens dos usuários, mas devem agir com agilidade assim que notificadas.

Essa norma busca preservar a liberdade de expressão, sem transformar as plataformas em “censores privados”. Contudo, ela também impõe um dever de colaboração com as autoridades para investigações de crimes virtuais.

Moderação de conteúdo e combate à desinformação

Diante da pressão da sociedade e de governos, muitas plataformas passaram a adotar políticas internas mais rigorosas para lidar com desinformação, discurso de ódio e conteúdos criminosos.

Entre as medidas adotadas, estão:

  • Parcerias com agências de checagem de fatos.

  • Remoção automatizada ou moderada de conteúdos considerados falsos ou ofensivos.

  • Avisos de conteúdo duvidoso, solicitando verificação antes do compartilhamento.

  • Redução do alcance de páginas e perfis que frequentemente espalham fake news.

Essas ações são importantes, mas ainda geram controvérsia: há quem critique a falta de transparência nas decisões de moderação e a possibilidade de abuso de poder privado.

PL das Fake News: regulamentação em debate

Está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 2.630/2020, conhecido como PL das Fake News, que busca regulamentar a atuação de plataformas digitais no combate à desinformação.

O projeto propõe, entre outras medidas:

  • Exigência de transparência nos algoritmos.

  • Obrigatoriedade de identificação de contas suspeitas.

  • Sanções para empresas que não cumprirem as normas.

  • Criação de mecanismos de apuração de denúncias feitas por usuários.

Embora ainda não aprovado, o PL representa um passo importante na tentativa de equilibrar liberdade, responsabilidade e segurança no ambiente digital.

Exemplos Comuns de Crimes Virtuais com Repercussão Civil

Os Fake News e Crimes Virtuais podem gerar consequências jurídicas graves, inclusive no campo do Direito Civil, especialmente quando causam danos morais, financeiros ou de imagem. A seguir, apresentamos situações recorrentes que podem levar à responsabilização judicial:

Difamação de empresas e profissionais nas redes sociais

Críticas infundadas ou ofensivas publicadas em comentários, avaliações e postagens podem configurar abuso da liberdade de expressão e gerar indenização por danos morais. Exemplos incluem:

  • “Expor” negativamente um prestador de serviço sem provas.

  • Acusar uma empresa de fraude sem qualquer apuração.

  • Atacar reputações de forma desproporcional.

Divulgação de informações falsas sobre pessoas físicas

Boatos, montagens, acusações infundadas e distorções que comprometem a honra ou imagem de alguém, especialmente em grupos de WhatsApp ou perfis públicos, podem ser enquadrados como Fake News com impacto direto sobre direitos da personalidade.

Golpes via WhatsApp, e-commerce e perfis falsos

  • Perfis se passando por amigos, empresas ou vendedores confiáveis.

  • Golpes de depósito falso.

  • Anúncios falsos em marketplaces, onde o comprador nunca recebe o produto.

  • Fraudes bancárias com indução da vítima ao erro.

Esses casos envolvem também reparação civil pelos prejuízos financeiros, além de repercussões penais.

Vazamento de imagens íntimas (revenge porn)

A divulgação de fotos ou vídeos íntimos sem consentimento, com ou sem intenção de extorsão, constitui uma das formas mais graves de violência digital e viola frontalmente direitos fundamentais, podendo gerar:

  • Ação por danos morais.

  • Pedido liminar de remoção do conteúdo.

  • Pedido de sigilo processual para proteção da vítima.

Criação de perfis falsos com fins de extorsão

Golpistas criam perfis falsos se passando pela vítima para:

  • Difamar.

  • Pedir dinheiro em nome dela.

  • Ameaçar com a divulgação de informações ou imagens comprometedoras.

É possível ingressar com ação judicial para remoção do conteúdo, identificação dos autores e indenização por danos morais e materiais.

Como Se Proteger de Fake News e Crimes Virtuais

A melhor forma de evitar ser vítima de Fake News e Crimes Virtuais é prevenir. Isso exige atenção, boas práticas digitais e, quando necessário, orientação jurídica.

Boas práticas no dia a dia

  • Use senhas fortes e diferentes para cada serviço, com letras, números e símbolos.

  • Ative a autenticação em dois fatores em todas as contas que permitirem (WhatsApp, e-mail, redes sociais).

  • Não clique em links suspeitos ou de origem desconhecida.

  • Desconfie de mensagens com senso de urgência, pedidos de dinheiro ou promoções “imperdíveis”.

  • Antes de compartilhar qualquer notícia, verifique a fonte e busque informações confiáveis.

Prevenção jurídica

  • Elabore termos de uso e política de privacidade em sites e redes sociais vinculados a atividades comerciais ou profissionais.

  • Monitore regularmente menções ao seu nome ou marca na internet, usando ferramentas como Google Alerts.

  • Consulte um(a) advogado(a) especialista em Direito Digital ao menor sinal de violação ou suspeita de crime.

A cultura da responsabilidade digital e o conhecimento jurídico são aliados poderosos contra os riscos do ambiente online.

Jurisprudência Relevante

A jurisprudência brasileira tem reconhecido a gravidade das Fake News e dos crimes virtuais, especialmente quando provocam danos morais significativos às vítimas.

Exemplos de decisões

  • STJ – REsp 1.660.168/SP: a Corte reconheceu a responsabilidade de uma rede social pela demora em remover conteúdo ofensivo, impondo indenização à vítima.

  • TJSP – Apelação Cível 1030353-70.2020.8.26.0100: o autor teve fotos íntimas divulgadas em grupo de WhatsApp. A sentença fixou indenização de R$ 20 mil por danos morais, com urgência na remoção do conteúdo.

  • TJMG – Apelação Cível 1.0702.20.066530-4/001: empresa foi condenada por permitir fake news em seus comentários patrocinados. Decisão reconheceu responsabilidade solidária da plataforma por não moderar conteúdo.

Esses precedentes demonstram que o Judiciário vem tratando com seriedade os impactos dos crimes virtuais, impondo limites à liberdade de expressão quando ela extrapola o respeito aos direitos da personalidade.

Conclusão

As fake news e crimes virtuais representam desafios reais e urgentes em uma sociedade cada vez mais conectada. Com impactos que vão desde a difamação individual até a manipulação de processos eleitorais, essas práticas exigem atenção constante, tanto das autoridades quanto dos próprios usuários da internet.

Como vimos ao longo deste artigo, o ordenamento jurídico brasileiro dispõe de ferramentas importantes para coibir essas condutas, incluindo leis específicas, mecanismos de denúncia e decisões judiciais firmes. 

Além disso, o fortalecimento da educação digital, a cautela na disseminação de informações e o uso consciente das redes sociais são atitudes essenciais para reduzir a propagação da desinformação e evitar que mais pessoas sejam vítimas desses crimes.

Denunciar é um direito e também um dever de quem deseja uma internet mais justa e segura. Proteger-se, por sua vez, é uma combinação de informação, prudência e responsabilidade.

Ao conhecer seus direitos e saber como agir diante de situações ilegais, você contribui ativamente para a construção de um ambiente digital mais ético, transparente e respeitoso.

Mais do que apenas reagir, é preciso educar, conscientizar e criar uma cultura de responsabilidade digital, onde compartilhar informação seja um ato de cuidado, e não de destruição. A internet deve ser, antes de tudo, um espaço de respeito e justiça — e a informação é a melhor ferramenta para garantir isso.

Referências Bibliográficas

  • ALMEIDA, Edmundo Monteiro de; PERES, Raimundo. Fak3 news: o poder da mentira na sociedade contemporânea. São Paulo: [s.n.], 2025.
  • BRASIL. Código Civil. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 11 jan. 2002.
  • BRASIL. Código Penal. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Diário Oficial da União: seção 1, Rio de Janeiro, RJ, 31 dez. 1940.
  • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 5 out. 1988.
  • BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil (Marco Civil da Internet). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 24 abr. 2014.
  • BRASIL. Lei nº 14.155, de 27 de maio de 2021. Altera o Código Penal para agravar penas de crimes cibernéticos. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 28 maio 2021.
  • DA EMPOLI, Giuliano. Os engenheiros do caos: como as fake news, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar… hora dos predadores e O mago do Kremlin. Tradução de Arnaldo Bloch. São Paulo: [s.n.], 2019.
  • DONEDA, Danilo. Da privacidade à proteção de dados pessoais. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
  • NERY JR., Nelson; ABBOUD, Georges; CAMPOS, Ricardo Rezende. Fake news e regulação. 3. ed. São Paulo: [s.n.], 2021.
  • NIC.br. Cartilha de segurança para internet. São Paulo: Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, [s.d.]. Disponível em: https://cartilha.cert.br. Acesso em 10/07/2025
  • ROSSINI, Cristina. Direito digital. São Paulo: Saraiva, 2020.
  • VALLADÃO, Luis Ademilton Alves; MENON, Gustavo. Redes sociais, fake news, política e direito. São Paulo: [s.n.], 2025.
Gostou do conteúdo?
Então, convidamos você a conhecer mais! Acesse nossa página inicial e descubra tudo o que temos a oferecer. Visite agora e veja por si mesmo!
Compartilhe
Mais posts
Bullying e Cyberbullying - Diferenças, Crimes e Responsabilidade das Escola
Bullying e Cyberbullying: Diferenças, Crimes e Responsabilidade das Escolas

Bullying e cyberbullying nem sempre significam a mesma coisa diante da lei. Neste artigo, você entende os conceitos, o que mudou com a Lei 14.811/2024 no Código Penal e no ECA, e em que situações a escola pode ser responsabilizada civilmente por omissão diante de casos de intimidação sistemática entre alunos.

Fungibilidade das Tutelas Provisórias - O Debate entre Urgência e Evidência
Fungibilidade das Tutelas Provisórias: O Debate entre Urgência e Evidência

A fungibilidade das tutelas provisórias permite que o juiz conceda tutela de evidência mesmo quando a parte requereu tutela de urgência, e o inverso também é possível, sempre que presentes os requisitos legais. Neste artigo, você entende o fundamento do art. 305 do CPC, os limites da fungibilidade entre urgência e evidência e como os tribunais aplicam esse princípio na prática.

Requisitos da Escrituração Mercantil
Escrituração Mercantil: Entenda os Requisitos Intrínsecos e Extrínsecos

A escrituração mercantil só produz efeitos jurídicos plenos quando observa exigências específicas de forma e de conteúdo. Neste artigo, você entende a diferença entre os requisitos extrínsecos, ligados à apresentação física dos livros empresariais, e os requisitos intrínsecos, relacionados à técnica contábil e à veracidade dos lançamentos, além das consequências práticas do descumprimento de cada um.

Exceção de Retomada - Quando o Locador Pode Recusar a Renovação
Exceção de Retomada: Quando o Locador Pode Recusar a Renovação

A exceção de retomada permite que o locador recuse a renovação da locação comercial mesmo diante do preenchimento dos requisitos legais pelo locatário. Neste artigo, você entende as hipóteses do art. 52 da Lei 8.245/91, as provas exigidas do locador e quando o locatário tem direito a indenização pela perda do ponto comercial.

Fundo de Comércio e Aviamento - O Que É e Como se Calcula
Fundo de Comércio e Aviamento: O Que É e Como se Calcula

O fundo de comércio, também chamado de aviamento ou goodwill, é o sobrevalor intangível que resulta da organização do estabelecimento empresarial. Neste artigo, você entende seu fundamento no Código Civil, os métodos de cálculo aceitos pela doutrina e o entendimento atual do STJ sobre sua mensuração na apuração de haveres.

Estabelecimento Empresarial
Estabelecimento Empresarial: O que é e Quais São Seus Elementos

O estabelecimento empresarial é a base material e imaterial de qualquer negócio, mas poucos sabem defini-lo com precisão. Neste artigo, você entende o conceito legal do art. 1.142 do Código Civil, a natureza jurídica de universalidade de fato e os elementos corpóreos e incorpóreos que formam esse complexo de bens organizado para o exercício da empresa.

Eficácia Probatória dos Livros Empresariais nos Arts. 417 a 419 do CPC
Eficácia Probatória dos Livros Empresariais nos Arts. 417 a 419 do CPC

A escrituração contábil pode se voltar contra o próprio empresário ou beneficiá-lo em juízo. Neste artigo, você entende como os arts. 417 a 419 do CPC definem a eficácia probatória dos livros empresariais, quando a presunção favorece o empresário, os requisitos de regularidade da escrituração e o princípio da indivisibilidade contábil.

Anotações Acadêmicas de 25-09-2026 - Conselhos Tutelares e de Direitos
Anotações Acadêmicas de 25/09/2026: Conselhos Tutelares e de Direitos

As Anotações Acadêmicas de 25/09/2026 avançam no estudo do ECA e mostram quem pode e quem não pode servir no mesmo Conselho Tutelar, quanto e como o conselheiro é remunerado e o que ele faz no dia a dia. Neste artigo, você vai entender as atribuições do art. 136, o regime disciplinar e o papel do CMDCA, dos conselhos estaduais e do CONANDA na política da infância.

Responsabilidade pelas Dívidas no Trespasse do Estabelecimento Empresarial
Responsabilidade pelas Dívidas no Trespasse do Estabelecimento Empresarial

O trespasse transfere o estabelecimento empresarial, mas não apaga as dívidas do negócio. Neste artigo, você entende quem responde pelos débitos anteriores à venda, o papel da contabilização exigida pelo Código Civil e as regras específicas que protegem credores trabalhistas e o Fisco.

Revisão de Tutela Provisória e Execução - Aulas de 13-08 a 24-09-2026
Revisão de Tutela Provisória e Execução: Aulas de 13/08 a 24/09/2026

A Revisão de Tutela Provisória e Execução reúne as aulas de 13/08 a 24/09/2026 com foco no que o professor mandou estudar para a AV1. Neste artigo, você vai revisar tutela de urgência, estabilização, cautelar antecedente e tutela de evidência, os princípios da execução, as medidas atípicas do Tema 1.137, a liquidação de sentença e o spoiler sobre as questões subjetivas.

Trespasse
Trespasse: O Que É e Como Funciona a Venda do Estabelecimento

Vender um estabelecimento empresarial não é o mesmo que vender um bem qualquer. Neste artigo, você entenderá o que é o trespasse, quais requisitos legais o contrato precisa cumprir para ter validade e eficácia, e como ficam as dívidas, os contratos e a concorrência entre alienante e adquirente após a operação.

Revisão de Processo do Trabalho - Aulas de 05-08 a 23-09-2026
Revisão de Processo do Trabalho: Aulas de 05/08 a 23/09/2026

A Revisão de Processo do Trabalho reúne os pontos mais cobrados das aulas de 05/08 a 23/09/2026 em um roteiro para a prova. Neste artigo, você vai revisar os princípios específicos, os ritos sumário, sumaríssimo e ordinário, a organização e a competência da Justiça do Trabalho, o jus postulandi, partes e procuradores, as consequências da audiência e a irrecorribilidade das interlocutórias.

Anotações Acadêmicas de 23-09-2026 - Revelia e Resposta da Reclamada
Anotações Acadêmicas de 23/09/2026: Revelia e Resposta da Reclamada

Anotações Acadêmicas de 23/09/2026 reúnem o que acontece quando reclamante ou reclamada faltam à audiência trabalhista e como a empresa deve responder à ação. Neste artigo, você vai entender arquivamento, perempção, revelia, confissão ficta, sigilo da defesa no PJe, exceção de incompetência e contestação com impugnação especificada, com exemplos práticos da rotina forense.

Ponto Comercial - O Que É, Como se Forma e Como É Protegido
Ponto Comercial: O Que É, Como se Forma e Como É Protegido

O ponto comercial é o valor que a localização de um negócio ganha com o tempo, o esforço e a clientela conquistada pelo empresário. Neste artigo, você entende o que forma esse ativo, por que ele é tão relevante para quem empreende e quais instrumentos legais existem para protegê-lo, especialmente diante do risco de perda na locação empresarial.

Revisão de Posse e Propriedade - Aulas de 04-08 a 22-09-2026
Revisão de Posse e Propriedade: Aulas de 04/08 a 22/09/2026

Vai fazer prova de Direitos Reais e não sabe por onde começar? Neste artigo, a Revisão de Posse e Propriedade percorre todas as aulas de 04/08 a 22/09/2026: teorias da posse, detenção, classificações, efeitos e proteção possessória, aquisição da posse, extensão e faculdades da propriedade e modos de aquisição de móveis e imóveis, com os pontos que mais caem.

Envie-nos uma mensagem